Conheça o empresário Geraldinho, o dono da Pax União, que começou a vida catando mangas em Timon para vender em Teresina

Por: Douglas Sampagode
Publicado em 08/06/2022 - 11h21

Geraldo da Cunha Oliveira, o popular ‘Geraldinho’, é uma autoridade do ramo empresarial do Piauí. Nascido em 5 de dezembro de 1945, em Matões, Maranhão, foi em Teresina que ele fez história com uma das maiores holdings do Nordeste, o Grupo Geraldo Oliveira.

De serviços funerários, com a gigante Pax União, ao lazer (Portal da Amazônia em Timon), oficinas de carro a gráficas, tudo isso já passou pelo olhar clínico de Geraldinho. E ninguém acredita quando ele fala que iniciou a carreira empreendedora ainda muito pobre, procurando mangas em Timon para vender nas feiras em Teresina.

Geraldo Oliveira construiu um legado brilhante, onde a honestidade e a vontade de trabalhar foram fundamentais. A situação de pobreza onde ele se encontrava o fez buscar os estudos e a qualificação, que permitiram uma senhora volta por cima.

Com visão e dedicação sempre será possível buscar um futuro melhor

Para além da carreira empresarial, Geraldo Oliveira foi vereador e suplente de deputado estadual. Chegou a concorrer às eleições para Prefeitura de Teresina, mas desistiu da política antes de concorrer às urnas, mesmo com um grande favoritismo. Além disso, foi assessor de gabinete de Wall Ferraz e Dirceu Arcoverde.

Com um currículo repleto de resiliência, Geraldo Oliveira mostra, na prática, que buscar um futuro melhor sempre será possível com visão, dedicação e trabalho duro. Pioneiro no segmento de planos funerários, ele não tem vergonha de dizer que foi “copiado” pelo mundo inteiro.

Geraldo é querido por muita gente. Tanto que tem o título de cidadão timonense, teresinense e piauiense. Para NOSSA GENTE, um exemplo de resiliência e de uma trajetória de sucesso.

“Ganhei uma bolsa do MEC, passei bem colocado. Eu sempre era o melhor aluno. O programa era para pagar e depois ter o reembolso. Terminou que deixaram eu estudar de graça, porque eu era muito sabido.”

E quais seus planos futuros?

GO: Montar um grande hospital. Quero deixar um grande legado para minha família.

Como surgiu a Pax União?

GO: É algo pioneiro no mundo. Lancei o carro de cor. A família escolhia a cor do carro. Antes era só carro preto. Além disso, tivemos de novidade o cemitério-jardim. Também lancei o velório fora de casa. É anti-higiênico o velório em casa, além do trauma de ver o parente sendo velado na sala. Também lancei a Pax União com o nome Plano Eterno. Era um plano funerário em 1970. Até que mudei para Pax União, que era um nome que um rapaz do Maranhão lançou. Ele veio para Teresina e não fez sucesso, então ele vendeu o projeto para mim, porque o nome era melhor. Eu tenho 18 CNPJs com empresas agregadas, de vários ramos ligados ao luto. Além da Ecoclínica Bem Cuidar.

E como o senhor chegou ao mercado funerário?

GO: Minha mãe trabalhou em uma funerária do Estado. Meu apelido na escola era “papa-defunto” e isso me doía muito. Eu comprei o Cemitério Jardim da Ressurreição completamente falido. Abandonado. Os sócios-fundadores, de São Paulo, brigaram entre si e eu assumi. Resolvi as questões judiciais, comprei a massa falida e reergui. Hoje está entre os melhores do Brasil. Foi o segundo construído no Brasil no modelo de jardim. Temos o cemitério, o forno crematório, a floricultura e a Pax União. Também tenho uma oficina de carros.

E o retorno para Teresina?

GO: Eu pegava encomendas em Teresina e imprimia em Picos. Eu mesmo fazia o picote, porque não tinha como comprar uma picotadeira. Costurei livros na máquina de costura. Até que pude comprar o maquinário. Eu dei aula para os gráficos, porque cheguei a ser menor aprendiz na Gráfica Piauí. Então botei uma loja de livros de coleção em Teresina. Vendia muita enciclopédia e CD. Cheguei a ter 28 carros vendendo em todo o interior. Era um grande faturamento. Nessa época eu já estava bem de vida.

Como senhor começou sua vida empresarial?

GO: Fui corretor de terreno. Fui dar aulas no Colégio Comercial de Picos, onde estudei e ensinei. Fiz técnico em contabilidade. Montei uma livraria. Vendi muita cartilha. Muito material escolar. Montei uma gráfica. Depois abri uma linha de ônibus de Picos ao Junco. No horário do almoço, eu fazia essa viagem. Era a primeira linha e eu mesmo dirigia. Eu saía do banco tarde da noite, fazendo hora extra.  Passei essa linha para um amigo, guarda rodoviária. Passei cinco anos em Picos, aí vim para Teresina.

O senhor continuou os estudos?

GO: Sim. Ganhei uma bolsa do MEC, passei bem colocado. Eu sempre era o melhor aluno. O programa era para pagar e depois ter o reembolso. Terminou que deixaram eu estudar de graça, porque eu era muito sabido. Fui para o Diocesano, onde eu sempre ficava entre os três primeiros lugares. Também fiz curso de datilografia no Sesc, onde depois fiquei sendo professor de datilografia. Foi meu primeiro emprego regular. Fui para o exército. Fui escolhido o líder do grupo, marchando do Rio Parnaíba ao 25 BC. Até que saí do exército. Até que passei em três concursos: Banco do Estado, Banco do Brasil e IBGE. Aí fui para o Banco do Brasil em dezembro de 1964. Morei em Picos, fiz um bocado de coisa lá.

 Como foi sua infância?

Geraldo Oliveira: Eu sempre tive um sonho, que era ser independente. Eu sempre achei que ser um empregado era uma vida muito limitada. Então me dediquei ao comércio. Eu já vendi tudo que você puder imaginar. Eu fabricava brinquedos, máscara de óculos para o Carnaval. Vendia água. Não tinha água em todas as ruas, então eu pegava. Meu pai era investigador de polícia e ganhava um salário mínimo. Ele, minha mãe e sete filhos. Então eu estava preocupado com essa situação. Eu não tinha a liberdade de brincar. Conheci a dor da pobreza. Essas diferenças sociais me doíam muito. Morávamos de favor. Ele vigiava e cuidava do imóvel, além de pagar um dia de serviço para o dono da casa. Paralelo a isso eu estudava muito. Ao ponto de apanhar por estudar até tarde. Eu botava meus pés em uma bacia d’água para não dormir e levava surra de cinturão. Eu achava que estudando eu mudaria minha vida. Aos 12 anos, passei a assumir o sustento da família, sozinho. Fazia bico, vendia jornal na porta de cinema. Cheguei a vender mangas nas feiras. Pegava em Timon e vendia em Teresina. Consertei pneu com ferro de engomar e querosene. Era barra pesada.

fonte: meionorte.com

Douglas Sampagode, radialista com certificação pela FBR e FENART ( Federação Nacional dos Radialista), atua na área de comunicação há 15 anos, passagem por rádios, diretor de 02 emissoras de rádio ( Popular FM e Jovem FM- Todas em Luzilândia), ex colunista do portal Piripiri40graus.com, designer, editor de áudio e vídeo, gerenciador de mídias sociais, assessor de imprensa e diretor do Blog do Sampagode.