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Izalene: uma feminista na década de 70 em Luzilândia

Izalene está na vanguarda da luta feminista nas cidades do baixo Parnaíba […]. Devemos honrar e estabelecer mulheres como ela a um patamar respeitoso e digno de ser seguido em sua luta pelo espaço da mulher em Luzilândia

Anderson dos Santos, Blog do Sampagode

07 de abril de 2019|10h45

 

A mulher sempre foi a grande personagem de luta, sobrevivência, conquista e resiliência que o mundo esqueceu nos enredos e tramas da história. É possível uma causa mais pura e honesta do que a mulher ser vista como UM igual ao homem? Se há, perdão! desconheço. O mundo tem uma dívida histórica com a mulher. O Brasil é um país machista, e pior, um machismo hipócrita e assassino.

Em várias unidades da República Federalista do Brasil existem casos e mais casos de machismo e suas formas. No Estado do Piauí existem inúmeros casos de preconceito, machismo, feminicídio e toda sorte de maldade contra a mulher. E esse crime é percebido só na capital Teresina? NÃO. O mal do machismo e seus famigerados adeptos malignos estão mais que nunca nas cidades do interior.

Luzilândia, não seria diferente. A ditadura do machismo e o preconceito permanecem em nossos dias e é provável que nada mude no futuro próximo. Casos de agressão contra a mulher são inúmeros na Delegacia de Luzilândia. E uma grande parte dos cidadãos vivenciaram ou vivem em uma situação dessas em casa. Em 2017, a Igreja Adventista do Sétimo em Luzilândia levantou a bandeira contra o machismo e a violência feminina. Várias autoridades falaram nessa ocasião em benefício de uma conscientização em massa. Pergunto, foi suficiente? Pois o problema ainda continua.

Lembro-me de uma mulher que entrevistei alguns anos atrás para um trabalho da faculdade. Esse encontro foi um dos que transformou minha vida. Ela me mostrou que o feminismo em Luzilândia começou muito tempo a trás quando enfrentou homens, mulheres e uma cidade preconceituosa. Aposto que estão curiosos para saber o nome, pois bem, Izalene. Sim, a dona do cabaré mais famoso do município e um dos mais desejados das cidades ribeirinhas do norte do Piauí na década de 70.

Maria Izalene Soares, se tornou uma mulher que tentou quebrar a cultura do machismo de um município que menosprezava qualquer pessoa que era forçado a ficar a margem da sociedade luzilandense. Izalene se tornou uma mulher empreendedora no comércio do meretrício na cidade de Luzilândia na segunda metade dos anos 70. Ela diz sobre seu início:

Quando eu cheguei aqui em Luzilândia não existia o cabaré em si, de função mesmo, existia era bares e os donos ainda me lembro deles: “Véi da Coroa” e “Antônio Leitoa”. Esses dois homens tinham cada um, um bar, o bar do “Véi da Coroa” e o bar do Antônio Leitoa. Não tinha nome não, só o nome deles mesmo no bar. E lá que as rapariga ficavam com os homens e faziam seus pontos. Mas cabaré mesmo com mulher morando, eu quem foi que coloquei.

O fato aqui não estabelecer uma história da personagem citada, do cabaré ou da violência contra a mulher, mas sim mostrar uma causa por direitos de “todas, todes e todos” (Marcia Tiburi)  em Luzilândia. É uma luta que devemos abraçar, lutar, sangrar e sobreviver. Mas dentro do imaginário machista existente na sociedade só passa de mais uma bobagem qualquer. Izalene está na vanguarda da luta feminista nas cidades do baixo Parnaíba. Devemos honrar e estabelecer mulheres como ela a um patamar respeitoso e digno de ser seguido em sua luta pelo espaço da mulher em Luzilândia. Bom domingo e uma ótima semana.

One comment

  1. Genesio Filho

    Em 1988 eu fiz o samba enredo do bloco da coroa, a pedido do saudoso Bira. Nele eu homenageava a Izalene, a Maria Viuva e o velho da Coroa.

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