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UMA LUZILÂNDIA HISTÓRICA

O cotidiano simples, pacato e quase sem inovações de Luzilândia faz com que percebemos como seus moradores agem perante as situações do dia-a-dia. Não se posicionar em relação aos problemas sociais, políticos e econômicos é não valorizar as lutas e os desafios enfrentados por pessoas que ansiavam por um lugar com “liberdade, igualdade e fraternidade”.

A história da cidade de Luzilândia é confundida com a maioria de outras cidades beira do norte piauiense. Contudo, Luzilândia tem um diferencial incomum, seu povo. A sociedade luzilandense é de fato a sua maior construção histórica. O maior legado desse lugar é sem duvida sua forma de agir, ver e pensar. Luzilândia é construída em maior contribuição pelo suor de seus trabalhadores braçais, do que pela ajuda política. Suas tramas, festas, comidas e seus espaços de sociabilidade deram forma e cor ao município.

A cidade se constrói entorno de algo essencial à existência dos seres vivos, a água. O Rio Parnaíba foi o grande motivador para tal permanência de pessoas naquela região do Piauí. Esse rio em Luzilândia deu vida, moldou a cidade, construiu sua cultura, abriu portas para o comércio local, regional, estadual, nacional e mundial.

O Rio Parnaíba levou nossas matérias primas para o mundo, e isso é elevar o município a importância dentro do cenário brasileiro. Pensar que Luzilândia surgiu em face de um único homem é de fato a maior causa da falta de identidade histórica de sua gente. Pensar no surgimento de Luzilândia baseado somente em uma fazenda é no mínimo uma desconsideração de nossas matérias primas (carnaúba, o cajueiro e a própria terra). Quem assim pensa também descarta a grandeza da maior riqueza do Piauí, o Rio Parnaíba. Luzilândia não se origina só de uma fazenda de gado em 1870, muito menos de uma permanência de um fazendeiro português, mas se constrói através do tempo por comunidades indígenas e posteriormente por famílias de trabalhadores que ali habitaram. Algo curioso e possível é que Luzilândia também poderia ter sido construída com a colaboração, mesmo que mínima, de escravos. Sabemos que o ano de 1870 no Brasil vigorava ainda o regime escravista, varias fazendas em todo território imperial tinham como forma de trabalho a mão de obra escrava. A data que nos dão para o surgimento do município luzilandense está dentro da história do Brasil no que chamamos de Segundo Reinado, ou seja, o Brasil ainda era uma monarquia. Os escravos nas fazendas brasileiras do século XVI-XIX era utilizado onde se tinha uma necessidade do trabalho braçal, e isso fazia com que a fazenda tivesse um progresso e até ser elevada ou não a Villa. Luzilândia em 1870 era uma fazenda de gado chamada Estreito, posteriormente elevada à categoria de Vila, por nome Porto Alegre, dado o seu grande progresso econômico e social. A hipótese da mão de obra escrava em Luzilândia se da por vários motivos e um deles é que em 1870 ainda não tínhamos no Brasil uma Lei antiescravista tão tênue, cobrada e fiscalizada.

Luzilândia de fato tem suas peculiaridades, seus enredos e tramas que deram para historiografia municipal a beleza de se estudar e compreender tal lugar.

 

Texto do luzilandense Anderson Pinto

One comment

  1. ROSILENE GOMES DA SILVA

    PARABENS LUZILANDIA

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